
Ela era uma menina diferente de muitas outras. Gostava de se vestir como melhor se sentia, não usava roupas de marca só pra invejar e muito menos usava peças desconfortantes para ficar mais na moda e parecer mais simpática frente a sociedade super fútil da sua década. Ela vivia em um mundo onde o que você vestia, era o que você era, o que você fazia não era mais da sua conta e sim da conta dos outros e o que todos queriam era casar e constituir uma família normalmente. Bom, constituir família ela queria muito, mas ela sabia que tinha que abrir mão de algumas coisas, mudar outras e se encaixar nesse mundinho que ela repudiava a cada suspiro. Sempre foi a lugares que nunca pensou a ir e se envolveu com pessoas que nunca pensou que poderia conhecer.
Num momento de refúgio, talvez, ela se apaixonou. Se apaixonou por uma menina. Nada tradicional, nada fácil se relacionar com alguém do mesmo sexo, já dizia ela. Mas era forte, ela não se contém quando o assunto é sua paixão. E a vontade de ter essa pessoa do seu lado, para pular as barreiras que insistiam em aparecer cada vez mais altas e indestrutíveis aos que não amam, aumentava. Não sabia como havia se apaixonado pela pessoa que ela menos imaginaria, e como uma amizade tão forte como essa pudesse se misturar com outros sentimentos, reagir e transformar a vida de ambas.”Como me apaixonar por uma pessoa que nunca beijei, e nem ao menos toquei? “ pensava ela constantemente, enquanto ouvia músicas que lembravam momentos.
A outra não queria, renegava, dizia que não podia e que não tinha cabimento essa paixão repentina, até porque ela não se imaginava com uma menina. Mas o que ela não sabe é que esse sentimento já vem de muito tempo, dos primórdios da amizade, a cada telefonema, conversa, sorriso, palavra de afeto, enfim, tinham uma conexão que ela acreditava ser o amor. Ela insistiu, insistiu, até que conseguiu através de músicas, palavras, e a mais pura sinceridade de um coração que já batia descontroladamente, fazer com que a opinião dela mudasse em relação ao amor. O normal não existe e nunca existiu quando o assunto é o coração.
Ela acha que não vive sem a sua menina, sabe que é com ela que quer viver por muito tempo. Pode não ser pra sempre, mas quer tentar até o final, até enjoar de seu rosto e mandá-la pro inferno. E ela luta, está lutando até hoje pra se encaixar na Terra..e que vá à merda todos que vivem e tentam sobreviver nela, por que o seu mundo agora tem um nome lindo, o melhor perfume, o melhor sorriso,uma voz estremecedora e o relacionamento mais oscilante do que a carreira da Britney Spears.
Ela ama, se apaixona todos os dias e venera essa menina, e não quer saber mais se o mundo está uma desordem, se todos a olham estranhamente ou se ela está mesmo vestida, como ela antes se importava. Abstrair é uma boa saída pra se viver mais estável com o mundo e amar...Ah! sei lá, amar é amar.Você não pensa, você age, você estar voando constantemente, se arrepia só de ouvir um “eu te amo” vindo da pessoa que espera. É como se cada dia fosse o mesmo dia do começo da paixão. Viver ela, sorrir com ela, ajudá-la. Enfim, qualquer forma de amor é bem-vinda, e quem quiser que se mate por aí, porque eu estou amando por aqui.
